Ressignificação de datas comemorativas

 

25/07 - Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra

e o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha 

Tereza Benguela era conhecida como "Rainha Tereza", pois foi a líder do Quilombo Quariterê, no Vale do Guporé, no Mato Grosso durante a década de 1730 até o final do século XVIII. Rainha Tereza assumiu a liderança do Quilombo, após a morte de José Piolho, seu companheiro que foi morto por soldados, sendo responsável por cerca de 100 pessoas, na qual a maioria eram negras, mas também com a presença de índias e índios. Durante sua liderança, existiu no Quilombo Quariterê uma organização política e um sistema de segurança que permitiram mais de 30 anos de resistência, nos quais se desenvolveu uma sólida economia, com diversos tipos de plantações, cultivo de algodão e produção de tecidos.

Apesar de tantos anos de resistência, a história tradicional em geral  se esquece de mencionar o Quilombo de Quariterê e o nome de Tereza Benguela.

 Como muitas mulheres negras que lutaram pela liberdade de seu povo, Rainha Tereza teve sua resistência apagada na memória nacional. Esse "esquecimento" é só mais uma das diferentes violências que o racismo impõe às pessoas negras. A história tradicional, que aprendemos nas escolas, é quase sempre centrada nas lutas e conquistas europeias, nos heróis e líderes que são homens e brancos. Por exemplo, em nossa história nacional,  páginas e mais páginas são dedicadas a explicar quem foram os Bandeirantes - que matavam e sequestravam pessoas negras e indígenas -,  mas quase nada sabemos sobre as resistências do povo negro, sobre os quilombos e as mulheres negras que lutaram para serem livres. Ao impedir que tenhamos conhecimento sobre as heroínas e heróis que lutaram pelo povo negro, a historiografia tradicional reafirma e reproduz uma lógica racista na qual é negada às mulheres negras e aos homens negros o orgulho por sua raça e memória.
 

Fonte: Casa da Mulher Trabalhadora

 

 13/05 - Dia da "Abolição da Escravidão"

Assim, a 13 de Maio de 1888, a Princesa Isabel, então regente do trono em função do afastamento de seu pai, D. Pedro II, assinava a lei que extinguia a escravidão no Brasil, pondo fim a quatro séculos de exploração oficial da mão-de-obra de africanos e afrodescendentes nesta Nação, mais que qualquer outra, por eles construída.

Durante muito tempo, a propaganda oficial fez desse evento histórico um de seus maiores argumentos em defesa da suposta tolerância dos portugueses e dos brasileiros brancos em relação aos negros, apresentando a Abolição da Escravatura como fruto da bondade e do humanitarismo de uma princesa. Como se a história se fizesse por desígnios individuais, e não pelas ambições coletivas dos detentores do poder ou pela força inexorável das necessidades e aspirações de um povo.

A tentativa de vender a abolição como produto da benevolência de uma princesa branca é parte de um quadro maior, que inclui outras fantasias, como a “colonização doce” – suave apelido do massacre perpetrado pelos portugueses na África e nas Américas – e o “lusotropicalismo”, expressão que encerra a contribuição lusitana à construção de uma “civilização” tropical supostamente aberta e tolerante. Talvez do tipo daquela por eles edificada em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, quando a humilhação e a tortura foram amplamente usadas como formas de manter a dominação física e psicológica de europeus sobre africano.

Na verdade, o processo que resultou na abolição da escravatura pouco tem a ver com as razões humanitárias – embora essas, é claro, também se fizessem presentes. O que de fato empurrou a Coroa imperial a libertar os escravos foram, em primeiro lugar, as forças econômicas subjacentes à Revolução Industrial, capitaneadas por uma Inglaterra ávida de mercados para os seus produtos manufaturados. Explicam-se desse modo as pressões exercidas pela Grã-Bretanha sobre o Governo brasileiro, especialmente no que tange à proibição do tráfico, que acabaria minando os próprios alicerces da instituição escravista. Outro fator fundamental foi o recrudescimento da resistência negra, traduzido no pipocar de revoltas sangrentas, com a queima de engenhos e a destruição de fazendas, que se multiplicaram nas últimas décadas do século XIX, aumentando o custo e impossibilitando a manutenção do sistema.

Fonte: Carta Capital - Douglas Belchior 

 

 20/11 - Dia da Consciência Negra

 

Desde 2011, o dia 20 de novembro ficou conhecido com o Dia da Consciência Negra. A data comemorativa foi estabelecida pelo projeto de Lei nº 12.519. A data faz referência a um personagem de grande relevância na história brasileira: Zumbi dos Palmares. Em 2003, com a Lei 10639, foi instituído nas escolas do país o ensino da história e da cultura afro-brasileiras.

Fonte:  Segredos do mundo

 

 

20/09 - O massacre de Porongos (Lanceiros Negros)

Foi no dia 20 de setembro de 1835 que as tropas farroupilhas comandadas pelo general Bento Gonçalves se rebelaram contra o Império do Brasil e proclamaram a independência da República Rio-Grandense. Deu-se início à mais longa guerra separatista da história do País.

A Revolução Farroupilha não foi uma revolta do povo gaúcho, mas dos grandes proprietários de terras — que estavam insatisfeitos com as leis federais e com a quantidade de impostos. Nos campos de batalha, no entanto, quem protagonizou a luta (em um primeiro momento) foram os mestiços, os índios e os brancos pobres.

A população negra do Rio Grande do Sul, à época, consistia em pessoas escravizadas submetidas a esses grandes proprietários de terras. Durante o primeiro ano de guerra, eles não foram enviados para o combate porque os patrões precisavam da sua força de trabalho. O general Antônio de Souza Netto, abolicionista declarado, propôs que os negros fossem libertados para participar da revolução. Apenas em outubro do ano seguinte, 1836, depois que as tropas farroupilhas sofreram graves baixas na Derrota de Fanfa, é que a proposta de Netto foi aceita.

Os ex-escravizados formaram uma unidade militar que ficou conhecida como Lanceiros Negros. Eram exímios combatentes de cavalaria armados com lanças compridas, que se entregavam à luta com garra. Eles lutavam com a ciência de que a liberdade recém conquistada estava condicionada à vitória sobre o regime escravocrata do Império do Brasil.

As negociações de paz avançavam cada vez mais entre os dois lados do conflito. Poucos detalhes restavam para que a guerra chegasse ao fim.

Um dos principais impasses era justamente a situação dos Lanceiros Negros. O Império Brasileiro não aceitava a existência de homens negros em liberdade e armados, experientes em combate. O abolicionismo havia sido declarado como um ideal farroupilha e era condição exigida pelos revolucionários para que a paz fosse selada.

Em novembro de 1844, conforme combinado entre os dois líderes militares, Canabarro ordenou à tropa de Lanceiros Negros para que fosse desarmada até o cerro de Porongos e lá montasse acampamento. A Caxias, coube ordenar às tropas imperiais para que também se deslocassem até o local para combater os farroupilhas que lá estivessem.

Desarmados e pegos de surpresa às 2h da madrugada, os negros farroupilhas foram dizimados pelos soldados imperiais. O massacre resultou na morte de centenas de lanceiros (as versões variam entre 170 e 800 mortos). Os poucos que sobreviveram foram enviados ao Rio de Janeiro para serem reintroduzidos à vida de escravidão e trabalhos forçados.

 

Fonte: New Order

 
 
 
 

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